
Não era o presidente verdadeiro? Bem que parecia. Mas era Josh Brolin, que passei a admirar depois de Onde os fracos não tem vez, mas a quem tive dificuldades imensas de reconhecer.
Como numa compilação dos discursos e cenas que nos atormentaram de 2001 a 2008, o presidente caipira renasce. Brolin está impecável no papel - à exceção das cenas do tempo de faculdade de George W., nas quais, por motivos óbvios, não consegue passar por um garoto de 20 anos. Nas outras, está tudo lá: o forte sotaque, o sorriso inconclusivo, os trejeitos robóticos com os braços.
W. não parece destoar do pensamento geral acerca do intelecto de Bush Jr. O diretor Oliver Stone mostra um presidente sem cultura, de pensamento confuso, com sentimentos de grandeza mas sem nenhum plano real de ação. “Junior” – nome pelo qual o presidente, ao menos no filme, detesta ser chamado – luta para sair da sombra do pai e do nome da família, prevê para si um destino grandioso, mas comete erros graves e é obscurecido pela experiência e eloqüência de seu vice-presidente.
O que mais me surpreende em W. foi sua capacidade de despertar compaixão por um homem que, durante quase um terço da minha vida, tomou apenas ações políticas que desaprovo. O filme mostra que o ex-presidente é ignorante, é fraco, mas acima de tudo é de carne e osso. Se isso justifica ou não seus erros é quase uma pergunta filosófica. Mas, pela primeira vez, senti que talvez tenhamos algo em comum. Seja isso verdade ou ficção, W. expõe um Bush Jr. tão bem-intencionado quanto mal-informado, que agiu de acordo com as convicções que tinha e que levará sempre o fardo da Guerra do Iraque nas costas.
Não é fácil contar em duas horas a história de um homem, e esse problema torna-se mais perigoso quando o homem em questão está vivo e a sua memória pública é tão recente como a de George W. Bush. O filme opta por narrá-lo em duas linhas do tempo, habilmente intercaladas. Numa, observa-se o George W. pós-11 de setembro, o período de sua vida que provavelmente entrará para os livros de história. Na outra, os momentos decisivos de sua vida são expostos, da inconseqüência juvenil ao alcoolismo, o casamento, a conversão religiosa e as eleições para o governo do Texas.
No final, seguindo a lógica, esses momentos se cruzam. A partir daí, caminham juntos em direção a uma metáfora do fim de seu governo: ao centro de um estádio de baseball, o presidente parece esperar aplausos. Quando olha em volta, contudo, a arquibancada está vazia. O carente Jr. está cercado de silêncio.
















