h1

W. (2008)

17 - Maio - 2009

W.

Não era o presidente verdadeiro? Bem que parecia. Mas era Josh Brolin, que passei a admirar depois de Onde os fracos não tem vez, mas a quem tive dificuldades imensas de reconhecer.

Como numa compilação dos discursos e cenas que nos atormentaram de 2001 a 2008, o presidente caipira renasce.  Brolin está impecável no papel - à exceção das cenas do tempo de faculdade de George W., nas quais, por motivos óbvios, não consegue passar por um garoto de 20 anos. Nas outras, está tudo lá: o forte sotaque, o sorriso inconclusivo, os trejeitos robóticos com os braços.

W. não parece destoar do pensamento geral acerca do intelecto de Bush Jr. O diretor Oliver Stone mostra um presidente sem cultura, de pensamento confuso, com sentimentos de grandeza mas sem nenhum plano real de ação. “Junior” – nome pelo qual o presidente, ao menos no filme, detesta ser chamado – luta para sair da sombra do pai e do nome da família, prevê para si um destino grandioso, mas comete erros graves e é obscurecido pela experiência e eloqüência de seu vice-presidente.

O que mais me surpreende em W. foi sua capacidade de despertar compaixão por um homem que, durante quase um terço da minha vida, tomou apenas ações políticas que desaprovo. O filme mostra que o ex-presidente é ignorante, é fraco, mas acima de tudo é de carne e osso. Se isso justifica ou não seus erros é quase uma pergunta filosófica. Mas, pela primeira vez, senti que talvez tenhamos algo em comum. Seja isso verdade ou ficção, W. expõe um Bush Jr. tão bem-intencionado quanto mal-informado, que agiu de acordo com as convicções que tinha e que levará sempre o fardo da Guerra do Iraque nas costas.

Não é fácil contar em duas horas a história de um homem, e esse problema torna-se mais perigoso quando o homem em questão está vivo e a sua memória pública é tão recente como a de George W. Bush. O filme opta por narrá-lo em duas linhas do tempo, habilmente intercaladas. Numa, observa-se o George W. pós-11 de setembro, o período de sua vida que provavelmente entrará para os livros de história. Na outra, os momentos decisivos de sua vida são expostos, da inconseqüência juvenil ao alcoolismo, o casamento, a conversão religiosa e as eleições para o governo do Texas.

No final, seguindo a lógica, esses momentos se cruzam. A partir daí, caminham juntos em direção a uma metáfora do fim de seu governo: ao centro de um estádio de baseball, o presidente parece esperar aplausos. Quando olha em volta, contudo, a arquibancada está vazia. O carente Jr. está cercado de silêncio.

h1

Reformulação

16 - Maio - 2009

O CineMARTO volta agora com um formato mais aberto. Para ser sincero, esse modelo antigo, a obrigação de colocar certos dados, e sempre da mesma forma, estava tirando meu prazer de escrever os posts. Vou tentar fazê-los agora de um jeito mais espontâneo, falando mais sobre o que VI e menos sobre o que procurei SABER. Como um consolo, fica a certeza de hoje ver muito mais nos filmes do que quando comecei esse blog.

Quanto a prometer posts mais freqüentes… bem, isso é complicado. Mas é o objetivo e espero que funcione.

h1

Maria Antonieta

25 - Agosto - 2008

Nome original: Marie Antoinette
Ano: 2006
País: EUA/França
Idioma: Inglês
Direção:  Sofia Coppola
Duração: 123 minutos

Um plebeu assiste à história de uma rainha. Os dois estão separados por mais de 200 anos, por milhares de quilômetros e… ele se emociona. Então que mágica se encontra por trás das câmeras de Sofia Coppola que torna tão humano, tão cotidiano o sofrimento de Maria Antonieta em Versalhes?

A princesa da Áustria é enviada ainda criança para casar com o príncipe da frança, Luís Augusto (que eventualmente se tornaria o rei Luís XVI) e selar a aliança entre os dois países. A jovem não demora a perceber que a corte francesa é bastante diferente daquela de sua terra natal. Em sua nova morada, a família real é um espetáculo vivo, cercado de interminável luxo e olhares indiscretos e incansáveis.

O primeiro drama da princesa é a pressão para gerar um herdeiro.  A demora em ter um filho torna-a vítima de intrigas por parte da corte e repreensões por parte da mãe, que prevê conflitos entre os países e a anulação do casamento. Mas problemas mais graves vêm quando o casal se torna rei e rainha, chamando atenção para o lado sombrio da Revolução Francesa.

Num alerta de que é impossível recriar a história, o filme deixa algumas pistas para lembrarmos que ainda estamos no século XXI. Uma delas é a fantástica trilha sonora de música pop, que inclui The Strokes e Siouxsie & The Banshee e diz muito a respeito da personalidade rebelde da protagonista.

Uma história não apenas interessantíssima, mas também incrivelmente bem contada, com produção acachapante, cenários incríveis, figurino impecável. E um olhar compreensiva e solidariamente feminino como só se poderia esperar de Sofia Coppola. Maria Antonietta é imatura, alienada e pródiga, mas suficientemente apaixonante para mostrar a Revolução de um ângulo raro e inusitado: o interior do castelo.

Trailer de Maria Antonieta
h1

Dogville

24 - Agosto - 2008

Dogville

Nome original: Dogville
Ano: 2003
País: EUA
Idioma: Inglês
Direção:  Lars von Trier
Duração: 178 minutos

Dogville é uma cidade fictícia no interior dos Estados Unidos e também o nome de um interessante filme  do diretor dinamarquês Lars von Trier. Com Manderlay e Washington, faz parte de uma trilogia sobre a sociedade americana. Mas, de forma mais geral, Dogville fala muito mais a respeito da condição humana.

Um vilarejo minúsculo é o lugar onde Grace, interpretada sem brilhantismo por Nicole Kidman, é encurralada por um grupo de gângsters que a perseguem durante a Grande Depressão. Os moradores hesitam em ajudá-la a se esconder, exceto o jovem Tomas Edison. Intercedendo por Grace, Tom convence os habitantes de Dogville a correrem o risco de abrigar a fugitiva. Inicialmente, a cidade tem dificuldade em aceitá-la, mas acaba percebendo que sua ajuda pode ser de grande valia para dar conta de trabalhos que não são necessários, mas que todos gostariam que fossem feitos.

Por que é tão difícil viver sem luxos que não possuíamos ainda há pouco? Como definir a tênue linha onde termina o favor e começa o dever?  Como explicar a tendência humana de explorar fraqueza do outro tanto quanto possível? Essas e outras perguntas surgem quando Dogville começa a “mostrar seus dentes” para Grace.

O cenário, que em lugar de paredes possui apenas demarcações e letreiros no chão, contribui para tornar toda a trama ainda mais questionadora: um estupro pode ocorrer há poucos metros de uma conversa banal; o espectador assiste perplexo, mas os moradores da cidade podem não ter nem mesmo idéia do que se passa tão perto. E se soubessem? Que seres humanos seríamos se nossos hábitos mais sombrios não fossem escondidos atrás do cenário de nossas casas?

Por fim, vem ao caso dizer que Dogville é dividido em capítulos: um prólogo e mais nove. Uma estratégia muito interessante, especialmente tratando-se de um filme de 2 horas e 50 minutos. Não seria uma nova visão sobre filmes? O formato clássico, de 1 hora e meia ou duas, parece ter se afirmado como o ideal para o entretenimento. E para a reflexão? Será que teremos em breve filmes muito maiores, com trechos distintos e assinalados, que, como livros, podem ser absorvidos pouco a pouco? (Acho pouco provável, mas a pergunta fica no ar.)

Se surgem tantos pontos de interrogação como nesse texto, não se deve perder a oportunidade de assistir a Dogville.

Não achei um trailer de Dogville para postar aqui!
h1

Unplugged

17 - Março - 2008

Bug

Por causa de um audacioso experimento científico – não é preciso entrar em detalhes, mas envolvia uma Coca diet e um pacote de Mentos – estamos experimentando problemas técnicos. Dentro de algumas semanas, o CineMARTO estará de voltas com as críticas infundadas e as notas sem sentido de sempre.

O CineMARTO está de volta e assistindo a mais filmes do que nunca.

h1

Across the universe

25 - Fevereiro - 2008

Across the universe

Nome original: Across the universe
Ano: 2007
País: EUA
Idioma: Inglês
Direção:  Julie Taymor
Duração: 131 minutos
  

 

Durante a entrevista com Truffaut, Alfred Hitchcock dizia que seu interesse por alguns roteiros se limitava a uma única cena de grande impacto visual, por vezes o suficiente para convencê-lo a fazer o filme. Foi o caso do assassinato no chuveiro em Psicose, ou da tensa espera pelo bater dos címbalos em O homem que sabia demais. Pensei nisso enquanto saía do cinema após ter assistido a Across the universe, pois duas belas cenas são tudo o que eu acho que lembrarei desse filme em uma semana.

Ao contrário das obras de Hitchcock, o roteiro de Across the universe peca em unidade. A partir de uma idéia interessante – dar novo rosto a canções dos Beatles, criar novos significados e fazer um musical a partir do resultado – é construído um enredo absolutamente comum, cujo centro é uma história de romance e ciúme igual a qualquer outra. Os Estados Unidos por volta dos 60 são o pano de fundo, mas não passam de fragmentos analisados en passant, semelhantes a micro-reportagens da Retrospectiva anual de dezembro na televisão.

Muitas das canções são forçadas a aparecer sem grande necessidade. É o caso de Dear Prudence, ou ainda daquela de onde vem o nome do filme. Outro problema é a constante necessidade de fazer piadinhas com as letras das músicas; a única graça que surge dessas tentativas frustradas vem da chance de rir dos roteiristas. 

A crítica ao fiasco da invasão do Iraque parece ecoar por trás dos gritos para que Lyndon Johnson interrompa a guerra do Vietnã. Infelizmente, é tudo feito de forma muito superficial. Digamos que, se dependesse de Across the universe para ser sensibilizado em prol do pacifismo, eu me alistaria no exército imediatamente. Por sorte, não dependo.

“O que sobra de bom, afinal?”

Para começar, uma trilha sonora fabulosa. Nem mesmo as vozes dos cantores – todas tão sem personalidade que parecem ter saído de uma disputa de American Idol – ofuscam os arranjos interessantíssimos e bastante apropriados às cenas.

“E aquele negócio das duas cenas no primeiro parágrafo? Era só enrolação para começar o texto?”

De forma alguma! Na verdade, esse é o ponto mais forte de Across the universe: uma plástica belíssima, boa direção de arte, cores fantásticas e algumas cenas de grande imaginação. A tentativa de fazer imagens cada vez mais longe da realidade vai crescendo gradualmente, e é louvável pelo menos até a metade do filme, quando atinge seu doloroso auge: delírios de LSD, sem a menor importância para os eventos. Como alguma beleza resulta desses episódios, especialmente na apresentação de For the benefit of Mr. Kyte, é possível relevar o exagero desnecessário.

(Cabe lembrar, também, que devaneios muito parecidos tiveram grande importância em alguns dos melhores discos dos Fab Four.)

“Fala logo quais as tais duas cenas, porra!!!”

Tudo bem! A primeira das imagem que ficam na minha mente marca o começo da inventividade visual no filme e se passa num boliche, quando o personagem principal, Jude (!) se percebe apaixonado por Lucy (!!), a irmã de seu amigo Max. Ao som de I’ve just seen a face, ele canta “Fallin’, yes I am fallin’” e desliza deitado pela pista, enquanto bolas coloridas ultrapassam-no pela canaleta. O enquadramento o segue e mostra apenas seus ombros e cabeça, com um sorriso bobo. O mundo é que parece se mover, não o Jude. Pode até ser estúpido, mas confesso que me orgulharia muito de ser responsável por aquele plano, fosse na idealização ou na hora de botá-lo em prática.

O segundo grande momento do filme, em minha opinião, vem mais perto do final do que do início, durante Strawberry Fields Forever. A beleza e a profundidade dessa cena me fazem pensar que, se o nome do filme tinha mesmo que ser o de uma canção, deveria ser essa. A ação se desenvolve em dois eventos simultâneos: enquanto Jude luta contra seus problemas pessoais, Max, convocado para ser soldado, é o veículo da história para mostrar a violência da guerra do Vietnã. Jude, como catarse, monta um belíssimo quadro a partir de dezenas de morangos pregados numa tela. As explosões da guerra se confundem com um acesso de raiva de Jude, e os morangos explodem um por um, como bombas. Jude termina manchado de vermelho, ensagüentado, apesar de estar a milhares de quilômetros da trincheira.

Cenas como essas servem para mostrar o tipo de efeito que o cinema é capaz de produzir quando explora a possibilidade – jamais a obrigação – de fugir do real. É em algum desses momentos que Across the universe encontra o seu melhor, e a originalidade do cinema talvez ganhasse muito caso os espectadores se acostumassem com a ausência do possível e do provável na tela.

I've just seen a face - a cena do boliche.
h1

O iluminado

21 - Janeiro - 2008

O iluminado

Nome original: The shining
Ano: 1980
País: EUA
Idioma: Inglês
Direção:  Stanley Kubrick
Duração: 146 minutos
  

 

O iluminado é uma boa história de suspense e terror, mas acredito que merecia um filme melhor. A decepção é aprofundada ao lembrar que o diretor responsável pelo que considero um trabalho apenas mediano foi o celebrado Stanley Kubrick.

A trama começa quando o escritor desempregado Jack Torrance, interpretado por Jack Nicholson, recebe uma oferta de emprego. O trabalho é ser o zelador solitário de um imenso e luxuoso hotel durante a temporada de inverno, quando o prédio fica coberto por neve e praticamente inacessível. Torrance é informado pelos empregadores que anos antes uma tragédia aconteceu ao homem que ocupava esse mesmo cargo e a sua família; o escritor, contudo, dá pouca importância ao fato e se muda com a mulher e o filho.

Uma sucessão de eventos parapsicológicos e a solidão do cotidiano dentro de um gigantesco e sombrio casarão ilhado pelo gelo deixam a família à beira de um colapso. Percebe-se que uma catástrofe é iminente, mas nem Jack nem a esposa sabem ao certo o que fazer. A história é verdadeiramente aterrorizante, mas o jogo de câmeras não favorece o suspense – um problema que penso encontrar na grande maioria dos filmes de terror.

Embora ache que O iluminado foi decepcionante, não creio que foi uma perda total de tempo. Como já disse, a história que é contada aqui é interessante, apesar de alguns lugares-comuns – o mais grave é a menção a um cemitério indígena, sobre o qual teria sido edificado o hotel; um comentário como esse, já há algum tempo, é motivo de riso e não de medo. É bom ressaltar que a participação de Jack Nicholson, mais uma vez, está muito boa. Se resolver correr o risco, alugue e assista!

O filho iluminado de Jack Terrance.
h1

John Lennon – O mito

21 - Janeiro - 2008

John Lennon - O mito

Nome original: In his life: the Lennon story
Ano: 2000
País: EUA
Idioma: Inglês
Direção:  David Carson
Duração: 98 minutos
  

Mesmo para um fã de Beatles e admirador de Lennon, esse filme é difícil de engolir. Personagens desinteressantes, com os quais é impossível se comover, participam de uma história mal-contada em que diretor e montador demonstram não saber administrar o tempo e o ritmo das ações. A vida de Lennon é narrada por enquadramentos ruins e diálogos horríveis, que fazem com que uma hora e meia demore uma eternidade para passar.

A atuação de Phillip McQuillan, de quem nunca sequer ouvira falar, é um dos poucos pontos razoáveis do filme – juntamente com a trilha sonora, mas é ao Lennon verdadeiro, e não aos autores do filme, que cabe esse segundo mérito; o de In his life é a descoberta de como transformar a dramática história de vida de um dos mais criativos ícones da cultura pop em quilômetros de película cujo único destino apropriado seria o lixo.

Também não achei o trailer! Isso está ficando freqüente.
h1

Ônibus 174

20 - Janeiro - 2008

Ônibus 174

Nome original: Ônibus 174
Ano: 2002
País: Brasil
Idioma: Português
Direção:  José Padilha
Duração: 150 minutos
   

História real: há sete anos, a imagem de um ônibus monopolizou quase todos os canais de TV durante cerca de 4 horas. O veículo permanecia parado no Jardim Botânico, Rio de Janeiro, cercado de policiais; dentro dele, um seqüestrador, armado com revólver, e 10 reféns. Espectadores,  no local ou pela TV, se comoveram com o fato e aguardavam apreensivos o final da situação – que não poderia ter sido mais surpreendente.

Cansado após várias horas de negociação com a polícia, o seqüestrador Sandro do Nascimento tenta sair do ônibus, levando uma refém para cuja cabeça permanecia apontando a arma. Ouve-se um tiro e a multidão enlouquecida avança sobre Sandro para iniciar o linchamento. A polícia intervém e coloca-o a salvo dentro do camburão. A refém já está morta, mas ele entra vivo no carro… e morre asfixiado, aparentemente pelos mesmos policiais que o salvaram.

Essa foi apenas uma das muitas dúvidas levantadas pelo desfecho da tragédia. Por que a polícia não agiu antes, invadindo o ônibus ou acionando um dentre os inúmeros atiradores de elite posicionados ao redor da cena? Como morreu a refém que saiu do ônibus com o seqüestrador? O criminoso não fazia reivindicações claras aos policiais durante a negociação. Qual era seu objetivo? De onde ele vinha? Que circunstâncias levam alguém a cometer um crime e colocar a própria vida e a de outros em risco dessa forma? 

Ao tentar responder a essas e algumas outras perguntas, José Padilha – diretor habituado ao documentário, que experimentou recentemente a ficção no comando do sucesso pop Tropa de Elite – acaba formulando um estudo sociológico que tem muito a dizer sobre a realidade do Rio de Janeiro e do Brasil. Ônibus 174 é um documentário que vai muito além da história de Sandro e seus reféns, pois seus alicerces se encontram em problemas bem mais gerais – desde a invisibilidade do cidadão marginalizado ao despreparo gritante de nossa polícia.

Não há trailer no Youtube, mas não deixe de assistir ao filme!
h1

Os infiltrados

15 - Janeiro - 2008

 Os Infiltrados

Nome original: The departed
Ano: 2006
País: EUA
Idioma: Inglês
Direção:  Martin Scorsese
Duração: 151 minutos
  

Os infiltrados é a história de uma perseguição que remete a um cão correndo atrás do próprio rabo: um membro da máfia se torna detetive de polícia, um policial se torna agente infiltrado em um círculo de mafiosos. Aos poucos, tanto mafiosos como policiais percebem a presença de um espião – como eles mesmos dizem, “um rato” – e os dois infiltrados passam a se perseguir, um desconhecendo a identidade do outro.

A proximidade entre o policial disfarçado de criminoso (Leonardo DiCaprio) e o criminoso que trabalha como policial (Matt Damon) beira o inacreditável, graças aos expedientes de um roteiro que considero simplesmente genial. A sanguinolência e velocidade da ação, por sua vez, são exatamente aquelas que se espera de Martin Scorsese.

No campo das atuações, Leonardo DiCaprio mostra-se apenas razoável. Boas interpretações de Mark Wahlberg, Matt Damon e Alec Baldwin mantêm o nível, enquanto Martin Sheen e Jack Nicholson estão simplesmente impecáveis.

Trailer do filme em inglês e sem legendas.